Gato anão existe, e o nome certo é Munchkin. É uma raça de pernas curtas que surgiu de uma mutação genética natural nos Estados Unidos. O corpo, a cabeça e o peso são de um gato comum: só os ossos das pernas são encurtados. Em 2020, cientistas identificaram o gene responsável, o UGDH, e a mesma descoberta ajuda a entender por que a raça é tão polêmica entre veterinários e associações felinas.
Este guia explica de onde vem o gato anão, como o gene passa de pais para filhotes, quais são os riscos para a saúde, quem reconhece a raça e o que muda na casa de quem tem um.
O Munchkin tem corpo de gato comum; o que muda é o comprimento das pernas.
Ficha rápida do gato anão
Munchkin (gato anão)
Origem
Louisiana, Estados Unidos, 1983
Causa das pernas curtas
Variante dominante no gene UGDH (condrodisplasia)
Tamanho do corpo
Normal; só as pernas são curtas
Pelagem
Curta ou longa, em qualquer cor ou padrão
Expectativa de vida
12 a 15 anos, segundo guias veterinários
Reconhecimento
TICA: sim. FIFe, GCCF e CFA: não
Ponto de atenção
Salto limitado e risco maior de problemas nas articulações
O que é o gato anão?
"Gato anão" é como o Munchkin ficou conhecido no Brasil. O nome em inglês vem dos munchkins, o povo baixinho do livro O Mágico de Oz. O termo técnico para o que ele tem é condrodisplasia, um tipo de nanismo em que a cartilagem de crescimento dos ossos longos não se desenvolve como deveria. Por isso o gato fica mais baixo, mas não menor: o tronco e a cabeça seguem o tamanho normal da espécie, e a comparação mais comum é com o cachorro dachshund (o "salsicha").
Isso também quer dizer que o Munchkin não é um gato miniatura. Anúncios de "gato mini" ou "gato anão que não cresce" costumam vender filhotes comuns ou gatos com outros problemas de crescimento. Um filhote que não cresce como os irmãos precisa ser avaliado pelo veterinário.
De onde veio a raça Munchkin?
Gatos de pernas curtas já tinham sido descritos antes. Em 1944, a revista veterinária britânica Veterinary Record relatou quatro gerações de gatos assim. A raça atual, porém, começou em 1983, em Rayville, na Louisiana (EUA), quando a professora de música Sandra Hochenedel acolheu uma gata prenha de pernas curtas, que chamou de Blackberry. Um dos filhotes machos, Toulouse, foi para uma amiga em Monroe, cidade vizinha, onde a linhagem se espalhou.
Os criadores apresentaram os gatos ao público no início dos anos 1990, e a TICA (The International Cat Association) passou a reconhecer a raça em 1994. Desde então, cruzamentos de Munchkins com outras raças, como o Persa e o Sphynx, deram origem a variações de pernas curtas com outros nomes, que a maioria das associações felinas também não aceita.
As pernas curtas deixam o andar mais rente ao chão, mas o tronco tem o comprimento normal.
A genética do gato anão: o gene UGDH
Por décadas, sabia-se que as pernas curtas eram herdadas de forma dominante: basta um dos pais ter a característica para os filhotes poderem nascer assim. O gene só foi encontrado em 2020, por pesquisadores da Universidade de Medicina Veterinária de Hannover, na Alemanha, em estudo publicado na revista BMC Genetics:
Eles acharam uma alteração estrutural (um trecho de DNA apagado e outro inserido) no gene UGDH, que participa da produção de moléculas da cartilagem.
A alteração estava em todos os 42 Munchkins de pernas curtas estudados, sempre em uma só cópia.
Ela não apareceu nos 15 Munchkins de pernas normais nem em 203 gatos de outras raças.
Nenhum gato tinha duas cópias. Junto com o relato dos criadores de que cruzar dois Munchkins gera ninhadas menores, isso indica que o embrião com duas cópias não chega a se desenvolver.
Munchkin "standard" e "não standard"
Como cada filhote tem metade de chance de herdar a variante de um pai Munchkin, uma ninhada costuma misturar gatos de pernas curtas (chamados de standard) e de pernas normais (não standard). Os dois são Munchkins no papel, mas só o primeiro tem a variante. O infográfico mostra o que esperar de cada cruzamento:
Infográfico: Munchkin com gato comum gera, em média, metade dos filhotes com pernas curtas; Munchkin com Munchkin perde cerca de um quarto dos embriões.
O gato anão é saudável? O que dizem os veterinários
É aqui que mora a polêmica. Os criadores da raça defendem que o Munchkin corre, brinca e escala como qualquer gato. Entidades de bem-estar animal e guias veterinários apontam riscos que vêm justamente das pernas curtas:
Salto limitado: a UFAW (Universities Federation for Animal Welfare), do Reino Unido, lembra que até os defensores da raça reconhecem que a capacidade de pular é afetada.
Articulações: pernas encurtadas distribuem o peso de forma diferente e podem aumentar o risco de osteoartrite, que causa dor e piora a mobilidade.
Coluna: guias veterinários citam alterações na curvatura da coluna, que podem predispor a problemas nos discos entre as vértebras.
Higiene: a International Cat Care observa que alguns Munchkins têm dificuldade para se limpar sozinhos, sobretudo os de pelo longo.
Reprodução: cerca de um quarto dos embriões de dois pais Munchkin não se desenvolve, como mostra o infográfico acima.
A própria UFAW ressalta que os efeitos sobre o bem-estar ainda foram pouco estudados em pesquisas científicas. Mesmo assim, recomenda que gatos de pernas curtas não sejam usados na reprodução. Se você já tem um Munchkin, o caminho é acompanhamento veterinário regular e atenção aos sinais de dor descritos mais abaixo.
Quem reconhece a raça Munchkin?
Associação
Reconhece o Munchkin?
TICA (The International Cat Association, EUA)
Sim
FIFe (Fédération Internationale Féline, Europa e outros países)
Não. As regras proíbem raças baseadas em nanismo e citam o Munchkin como exemplo
GCCF (Governing Council of the Cat Fancy, Reino Unido)
Não
CFA (Cat Fanciers' Association, EUA)
Não
Fora das associações, alguns governos também restringem a criação. No estado de Victoria, na Austrália, gatos com esse tipo de nanismo não podem ser usados na reprodução, segundo a RSPCA Austrália, por causa de um código de prática contra a criação de animais com defeitos hereditários que causam doença.
Personalidade do gato anão
Os Munchkins costumam ser descritos como brincalhões, curiosos e sociáveis, e há quem diga que têm mania de esconder objetos pequenos e brilhantes. Não há estudo que comprove um temperamento próprio da raça: o jeito de cada gato depende muito mais da socialização nas primeiras semanas, da genética individual e do ambiente. Para entender o que ele está dizendo, veja o guia de linguagem corporal dos gatos.
Cuidados com o gato anão em casa
O Munchkin precisa dos mesmos cuidados de qualquer gato, com alguns ajustes por causa das pernas:
Acesso facilitado: rampas ou degraus para o sofá, a cama e a janela, e prateleiras em alturas menores. Assim ele não precisa saltar alto nem pular de lugares altos.
Peso sob controle: quilos a mais sobrecarregam as articulações. Ofereça a quantidade de ração indicada para o peso ideal; se ele for castrado, veja a ração para gatos adultos castrados.
Escovação semanal no pelo curto e de duas a três vezes por semana no pelo longo, ajudando nas áreas que ele não alcança.
Check-ups pelo menos uma vez por ano, com atenção às articulações e à coluna. Um plano de saúde para gatos pode ajudar a manter a rotina.
Sinais para levar ao veterinário: o gato deixa de subir em lugares que antes alcançava, fica rígido ao levantar, manca, passa a evitar a caixa de areia ou muda o jeito de andar. Gatos escondem dor, e essas mudanças sutis costumam ser o primeiro aviso.
Vale a pena ter um gato anão?
Se você se encantou por um Munchkin, vale pensar em três pontos antes:
Considere a adoção. Munchkins e mestiços de pernas curtas às vezes aparecem em abrigos e grupos de adoção, e dar casa a um gato que já existe não incentiva novos cruzamentos.
Se for comprar, pesquise o criador. Peça para conhecer os pais e o local, pergunte com que gatos o Munchkin é cruzado e desconfie de quem cruza dois Munchkins entre si ou promete "gato mini". O preço varia muito no Brasil e não garante saúde.
Prepare a casa e o orçamento para os ajustes acima e para o acompanhamento veterinário ao longo da vida.
Respostas diretas sobre o tema abordado neste artigo.
Gato anão existe mesmo?
Existe. Gato anão é o nome popular do Munchkin, uma raça de pernas curtas criada nos Estados Unidos a partir de 1983. O encurtamento vem de uma mutação genética natural, e não de cruzamentos com gatos pequenos.
Gato anão fica pequeno para sempre?
Não exatamente. O Munchkin cresce como um gato comum, e o corpo e a cabeça têm tamanho normal. Só os ossos longos das pernas ficam mais curtos, por isso ele fica mais baixo, não menor.
Quanto tempo vive um gato anão?
Guias veterinários citam uma expectativa de vida de 12 a 15 anos, parecida com a de outros gatos. Como as articulações das pernas recebem carga diferente, o acompanhamento com o veterinário ao longo da vida é importante, principalmente a partir da meia-idade.
O gato Munchkin tem problemas de saúde?
Pode ter. Entidades de bem-estar animal, como a UFAW, alertam que as pernas curtas limitam o salto e podem aumentar o risco de osteoartrite dolorosa. Guias veterinários também citam alterações na curvatura da coluna. Relutância em pular, rigidez ou mudança no jeito de andar devem ser avaliadas pelo veterinário.
Pode cruzar dois gatos Munchkin?
O cruzamento de dois Munchkins gera ninhadas menores: em média, um quarto dos embriões herda duas cópias da variante e não se desenvolve. Por razões de bem-estar, a UFAW recomenda não usar gatos de pernas curtas na reprodução.
O Munchkin é uma raça reconhecida?
Depende da associação. A TICA (The International Cat Association) reconhece a raça. A FIFe, que reúne clubes de muitos países, e o GCCF, do Reino Unido, não registram gatos com nanismo e citam o Munchkin como exemplo. A CFA, dos Estados Unidos, também não reconhece a raça.
Pronto para cuidar melhor do seu gato?
Guias práticos sobre raças, saúde, alimentação e comportamento: conteúdo gratuito para tutores que querem o melhor para seus felinos.
Conteúdo 100% gratuitoGuias práticos e diretosAtualizado com carinho
Sua privacidade
Usamos cookies para medir a audiência e melhorar o site — você pode
aceitar ou recusar. Anúncios (Google AdSense) são carregados somente
após a sua primeira interação com a página. Saiba mais na nossa
Política de Privacidade.